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Jul 09

O empresário do Porto Santo encontrado morto este sábado pela Polícia Judiciária no fundo de um poço estava sem roupa, com as mãos e os pés atados, encapuzado e com um peso amarrado ao pescoço, supostamente para não subir à tona da água. O poço, que estava praticamente cheio de água, é de uma fábrica de blocos, na Camacha, e está totalmente coberto. O acesso ao seu interior faz-se através de uma tampa com menos de um metro quadrado.
Vizinhos da fábrica, inactiva há cerca de três anos e localizada numa zona um pouco isolada, contaram-nos ontem que viam buscas naquela área desde quinta-feira, mas só sábado à noite a PJ encontrou o corpo, supostamente depois de o suspeito brasileiro, único detido até ao momento e agora em prisão preventiva, ter colaborado com as autoridades e confessado onde tinha sido posto o corpo. Mas este não é o único suspeito. Há, pelo menos, mais um. Trata-se de um empresário com quem Guilherme Bernardino Alves terá tido «algumas quezílias» no passado e de quem, alegadamente, chegou a receber ameaças. Este empresário é madeirense mas vive no Porto Santo há vários anos. Neste momento, a PJ confirma que o suspeito fugiu do país. Fontes do JM garantem ter sido para o Brasil. Há já um mandado de captura internacional.
Este caso de homicídio, ocorrido em termos invulgares na Região, fez a Polícia Judiciária accionar um grande dispositivo. Ao fim de 40 horas teve o seu desfecho, ainda que trágico.
Os Bombeiros Municipais de Santa Cruz foram quem procedeu ao resgate do corpo deste empresário de 78 anos. O alerta foi dado perto das 22h00. Uma equipa de bombeiros muniu-se de material de resgate. O suspeito brasileiro estava no local, mas não chegou a sair do carro da Polícia Judiciária. À distância, indicou o poço.
Assim que abriram a tampa viram o corpo no fundo. Estava a seis metros de profundidade, mas a transparência da «água potável» permitia vê-lo.
Iniciaram então o esvaziamento do poço, o que só terminou às quatro da manhã de ontem. Ou seja, seis horas depois. «Era um poço muito grande», justifica uma fonte presente nessa operação.
Apesar das circunstâncias em que o encontraram a causa da morte poderá não ser o afogamento.
Guilherme Bernardino Alves estava a sangrar da cabeça. Assim que o corpo foi içado «começou logo a escorrer sangue», diz-nos a mesma fonte. Era o único ferimento visível. No resto do corpo não terão sido notadas outras marcas.
A autópsia irá agora esclarecer a causa da morte deste empresário natural da Madeira mas a viver no Porto Santo desde a década de 1960.
Neste momento as investigações prosseguem. Em causa está o crime de homicídio, que poderá ser qualificado, dada a sua natureza alegadamente premeditada. A ser assim, e se for deduzida acusação, o (s) arguido (s) incorre (m) numa pena que pode chegar aos 25 anos de cadeia.
Até ao momento, apenas o suspeito brasileiro, de 35 anos e sem antecedentes criminais, está detido. Mas, ao que nos informaram, o suspeito que se encontra fugido será o cabecilha desta operação de rapto, que chegou a contar com um pedido de resgate de meio milhão de euros.
«O móbil do crime, sabemos que era a obtenção do resgate, ou seja, a motivação era, pura e simplesmente, o dinheiro. Por que é que matam? Quanto a isso estamos convencidos que foi por uma questão de medo. Ou seja, as coisas não correram como eles esperavam e, pronto, entre deixar uma testemunha e não correr riscos, preferiram optar pela segunda hipótese e mataram o senhor», afirmou o coordenador da PJ-Funchal, sobre a morte deste empresário envolvido numa cilada.
O suposto co-autor do crime tinha supostamente adquirido equipamentos na loja de electrodomésticos mas nunca os terá pagado. Farto de exigir o seu dinheiro e sem resultados à vista, o empresário agora morto terá ido buscar os equipamentos que antes havia vendido. A partir desse momento, Bernardino Alves terá começa a receber ameaças.
Ao contrário de Bernardo Alves, o empresário que está a monte «não era bem vista no Porto Santo».
De acordo com a Agência Lusa, este homem, também de 35 anos, já era referenciado pela polícia, mas «por problemas nada deste tipo».
Tal como no Porto Santo, também na Camacha as pessoas receberam esta notícia com grande estupefacção. Para além de ser assunto obrigatório nas conversas de café, várias pessoas procuravam saber exactamente em que poço tinha sido deitado o corpo do empresário. Algumas chegaram a organizar-se para, em grupo, palmilharem a zona. Uns sem sucesso, visto que o corpo estava numa fábrica de blocos e não numa quinta.
Recorde-se que Guilherme Bernardino Alves era um empresário de sucesso no Porto Santo. Além da bomba de gasolina, tinha interesses no ramo da construção civil e a extracção de inertes. Era dono do edifício onde está o supermercado “Pingo Doce” na ilha.
O empresário deslocou-se na quinta-feira à Madeira para tratar de negócios. Mal sabia que estava a entrar numa armadilha fatal.

Textos suplementares
Dennisa Silva deixou um comentário dramático na rede social Facebook. «O meu Avô foi brutalmente assassinado na Madeira», começa por referir a antiga participante do popular concurso de televisão Operação Triunfo. «É neste mundo que vivemos, onde as pessoas já só vivem com ganância, inveja, crueldade... Ao ponto de matarem um homem de 78 anos... Jamais vou aceitar isto, e cadeia para o animal que cometeu este crime não é nem de perto a pena merecida... Jamais vou aceitar, e vou chorar esta violência a minha vida toda. Mataram o meu Avô! :(», escreve a jovem cantora.

Porto Santo «está estado de choque» com a notícia do assassinato do empresário Guilherme Alves. O presidente de Câmara Roberto Silva diz que as pessoas «ficaram chocadas porque não estavam à espera deste desfecho e não compreendem esta situação porque o empresário era uma pessoa muito considerada na ilha do Porto Santo».

O presidente da Associação de Comércio e Industria do Porto Santo, José António Castro, disse que a morte de Guilherme Bernardino Alves é uma «grande perda para o tecido empresarial» da ilha. O assassinato é «inédito» no Porto Santo e o presidente da ACIPS espera agora que não tenha efeitos para o turismo da ilha.

Uma vidente terá sugerido que o empresário estava escondido na freguesia da Camacha. Esta sugestão, que não tem absolutamente nada a ver com a investigação da PJ, acabou por se relevar certeira. Alguns familiares terão feito buscas, contudo, sem sucesso.

Fonte: Texto da autoria integral do JM

publicado por Alberto Pita às 18:03

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