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Abr 08

O Funchal sempre teve capacidade para se adaptar a tudo e a todos e vai continuar assim, "é uma cidade que pode ir onde quiser", opina o historiador madeirense Rui Carita.

Em declarações à agência Lusa, Rui Carita realça que «todos os projectos, as megalomanias que se propuseram e projectaram nas várias épocas, que foram consideradas uma desgraça e maluqueira, estão ultrapassadas e a cidade pode ir até onde quiser».

Salienta que «o Funchal sempre teve capacidade para se adaptar a tudo e a todos e vai continuar assim!»

«Esta é uma cidade muito internacional, muito de passagem, com movimento interno excepcional, que demonstrou uma capacidade de rápida readaptação a novas e diferentes realidades incomensurável, mas sempre com a característica de estarem a dizerem todos mal uns dos outros», argumenta.

Sobre o futuro da primeira cidade atlântica, o historiador considera «não ser possível fazer a mínima ideia do que será ainda realizado em cima do que já está feito».

Aponta que o Funchal «nasceu de estruturações económicas, tendo começado como um primeiro burgo medieval, que viveu nos meados do século XV da cultura cerealífera dos terrenos na baixa que era altamente produtiva, onde os primeiros povoadores se instalaram».

Rui Carita destaca o papel que o Funchal exerceu desde o início nos descobrimentos, sendo que «em cerca de 20 anos se tornou uma potência económica internacional na área do açúcar», tendo chegado mesmo a exportar tecnologia e mão-de-obra para as outras colónias.

«Nos séculos XVII e XVIII assiste-se a uma nova realidade, a do Vinho da Madeira, que se torna um produto de exportação importante para a Inglaterra», refere, mencionando que esta produção é até citada em algumas obras de Shakespeare.

Entre os marcos importantes da história da Madeira, relembra que foi por duas vezes ocupada pelas tropas inglesas, serviu de apoio à corte portuguesa quando esta se instalou no Rio de Janeiro e que «o séc.XIX foi muito complicado, porque em 1828 se viu cerceada totalmente da suas liberdades pelo absolutismo do infante D.Miguel».

A partir de 1940, o Funchal começa a sua transformação para uma cidade moderna e é depois de 1974 que se «assiste a um projecto autonómico interessantíssimo que transforma totalmente a ilha e o Funchal de cidade romântica do séc. XIX, numa urbe que tenta ser competitiva, atractiva, moderna, como é hoje, que estará sempre em mudança, adaptação, mas cuja apreciação nunca será uniforme por todas as pessoas», conclui.

Por seu turno, o historiador madeirense Nelson Veríssimo, considera que a elevação do Funchal a cidade expressa «o sucesso da experiência pioneira do povoamento, realizada pelos portugueses, em ilhas desabitadas no Atlântico».

À agência Lusa, este professor da Universidade da Madeira salienta que o Funchal se tornou na «sede de uma diocese ultramarina» devido à prosperidade da cultura da sacarina e da riqueza do comércio do açúcar, o denominado «ouro branco».

Adianta que foi através do comércio do açúcar e do vinho que o Funchal se «tornou um importante porto de escalas das rotas atlânticas» para onde vieram numerosos mercadores estrangeiros (genoveses, florentinos na época do açúcar) e ingleses, nos finais do séc.XVIII, com o comércio do vinho.

Nelson Veríssimo considera que no séc.XIX, a Madeira «motivou também cientistas e exploradores» quando se tornou uma «estância sanatorial, adquirindo fama internacional não só pelas belezas naturais, mas também pelas qualidades do seu clima».

«É nesta época que assentam as raízes do turismo, importante actividade no século XX e também nos nossos dias», opina.

Menciona que a «malha urbana do Funchal» sofreu grandes alterações com o progresso que, «numa disputa do exíguo espaço», levou a «demolições de património arquitectónico considerado de grande importância».

«Mas a cidade ainda conserva uma harmonia que concilia várias épocas e estilos», refere.

Para Nelson Veríssimo «se, no passado, a riqueza do Funchal tinha como base a exportação de um produto agrícola, hoje vive sobretudo do turismo, sendo importante preservar a natureza, manter o que de mais característico existe e salvaguardar a traça arquitectónica dos edifícios que marcam a história da cidade».

Defende que «é de evitar dar ao Funchal um mobiliário urbano e um conjunto de equipamentos estandardizados, preservar a sua harmonia e singularidade para mantê-lo como pólo importante de turismo, a actividade que considera mais rendível dos tempos modernos».

Segundo outro historiador madeirense, Emanuel Janes, «o Funchal prosperou, cresceu e desenvolveu-se, chegando àquilo que é hoje, uma cidade cosmopolita, que ombreia com qualquer cidade europeia do seu género».

Fala da importância do açúcar e vinho, mas acrescenta o valor económico do «bordado, o vime e a banana, produtos comerciais que contribuíram para o crescimento e desenvolvimento da cidade, atraindo novamente estrangeiros».

«O turismo está verdadeiramente na base do desenvolvimento citadino destes últimos séculos, com incidência especial para os últimos anos do século XX e princípios do XXI», frisa, indicando que «a Madeira, e o Funchal em particular, se desenvolveram rapidamente, atingindo patamares nunca antes vistos».

Para Emanuel Janes, «o Funchal, com as suas igrejas e ruelas antigas, bem preservadas, convivendo com a modernidade das novas avenidas, concorre com um património cultural e artístico considerável».

«Hoje a cidade-capital da Madeira brilha ao lado das cidades portuguesas mais desenvolvidas e os madeirenses orgulham-se dela e do seu progresso que o tempo não mais diluirá», remata.

Texto da autoria de AMB, da Agência Lusa.

publicado por Alberto Pita às 12:41

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